Conformar-se a atual conjuntura da sociedade é o que nos torna normais.
Normais porque diremos “sim” a tudo o que nos for imposto pela idiossincrasia do sistema.
Normais porque compraremos o que está na moda, porque ouviremos a música do momento.
Normais porque nas corporações seremos subservientes ao invés de questionadores da métrica de produção e qualidade de vida.
Normais porque diremos não ao que for dito sim pela mídia como sendo do bem ou do mal.
Normais porque as causas que assumimos são politicamente corretas e todo o bom moço faz.
Normais porque consentiremos com as religiões e seus espólios, julgando que o que importa é a fé de cada um e, portanto, não interessam os meios.
Normais quando julgamos que o ciclo da vida precisa atender as expectativas de uma sociedade in loco, onde planta-se uma árvore; escreve-se um livro e gera-se um filho enquanto o indivíduo se dá por feliz.
Normais porque estamos conectados aos mesmos temas que ocupam as academias do saber, bem como as mesas de uma família que aprendeu não muito além da própria sobrevivência.
Normais porque nada temos a questionar dos que nos é imposto direta ou indiretamente.
Normais porque nos adequamos para obter o “amor” daquela mulher que não se dará, caso você não possa pagar por ela de modo “normal” – que é estar dentro dos padrões de aquisição benquista.
Normais porque qualquer coisa que não soe conforme a música da normalidade, você estará para sempre condenado a um “anormal”.
Normais porque não se canta uma canção como a dos Los Hermanos, o Cara Estranho.
Normais porque já nos conformamos com este século e não renovamos o nosso entendimento, tão pouco pensamos em transformação ou metanóia.
Normais porque o deus deste século é o ventre e nós decidimos adorá-lo, pois satisfaz nossa sede concretude e tangibilidade.
Enfim, o que é ser normal?
Sugiro a leitura de um texto bíblico, que deveras não será compreendido se você buscar auxílio em rodapés ou interpretações teológicas. Nem mesmo se o Deus a quem você o tem como tal seja este rendido a normalidade.
Indico que interprete como quiser, seja apenas coerente com o contexto e circunstância de quem o escreveu:
E não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus. Romanos 12.2
